“Estou detalhando o Projeto da Ecovila para Idosos (ou como chamamos – Ecovelha), e enquanto penso em sistema construtivo, materiais, distribuição do espaço, pomar, jardim, saneamento, energia limpa, circulação… me ocorreu que antes de projetar um espaço de paz fora de mim, preciso construir meu lugar de Paz dentro da minha mente, coração e principalmente no meu “Santuário das Lembranças”, pois algumas histórias vividas pesam e tiram minha Paz.
Como selecionar as memórias que fazem de mim um ser humano melhor; onde despejar tudo que pesa e consome minha Força para continuar; onde plantar sementes boas se ainda não consigo arrancar as pragas, que insistem em brotar; com que material posso adubar meu jardim, para que o meu melhor floresça?
Quando estamos entediados, ou envergonhados de sermos quem somos precisamos de um lugar para não sermos ninguém, e esse lugar é uma extensão daquele Santuário de lembranças, que mora nas dobras do coração.
É preciso esvaziar aquilo que pesa, abrir as janelas e portas, cantar bem alto e dançar de um jeito que só conseguimos fazer sozinhos, e embriagados da nossa poesia e doce atrevimento.
Depois que a Luz e a brisa começam a circular, é hora de começar a fechar algumas portas, que nunca deveriam ter sido abertas; encerrar o luto por tudo que “perdi” enquanto hesitava em constatar que nada é meu; olhar nos olhos do meu medo de não ser amada e contar sobre o amor por mim, que está brotando como grama em dias de chuva… e abrir todas as portas que foram trancadas com a chave do medo, cansaço e da desistência de ser feliz, para que a Esperança, Utopia, Coragem, Poesia… entrem sem pedir licença.”
“Se você quer construir um navio, não chame as pessoas para juntar madeira, ou atribua-lhes tarefas e trabalho, mas sim ensine-as a desejar a infinita imensidão do oceano”.
(Saint-Exupéry)
E agora vou usar meu dia para continuar sonhando com a imensidão do oceano, enquanto aprendo a construir barcos (ou Ecovilas/Ecovelhas?).”
Por: Míriam Morata


